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sábado, 7 de setembro de 2019

A minha Intenção (Czeslaw Milosz); Maçãs Silvestres & Cores de Outono (Henry David Thoreau)


2522
Os ensaios coligidos em A Minha Intenção são uma rica amostra da produção ensaística daquele que é um dos maiores poetas e escritores do século XX. Estes textos percorrem uma parte substancial da sua bibliografia, desde os anos cinquenta até praticamente à sua morte, revelando a enorme diversidade de temas e de géneros de que este extraordinário autor se serviu para descrever a sua particular visão do mundo.
Desde a natureza do que é ser europeu até reflexões profundas sobre religião, filosofia e política, Milosz empresta a cada linha destes ensaios uma análise incisiva e pessoal. A evolução do seu estilo. erudito mas aberto, e da sua personalidade, vincada e idiossincrática, transparecem aqui como talvez em mais nenhuma das suas obras.
Nesta selecção única e inédita, o autor sardónico e mordaz da crítica à sedução do comunismo é também o autor deslumbrado e lírico que conta as suas primeiras viagens pela Europa. O loquaz comentador da identidade polaca e dos seus complexos é também o contido crítico literário. O filósofo é também o biógrafo.

(in contracapa)




2523

A par dos seus textos políticos mais interventivos, Henry David Thoreau celebrizou-se no Nature writing, com escritos telúricos em que a Natureza e a sua sagacidade dão azo a reflexões e inevitáveis comparações com a existência humana. E, no ocaso da vida, o autor polia com esmero os dois breves ensaios aqui reunidos, publicados postimamente em 1862, na revista The Atlantic Monthly.
Em Maçãs Silvestres, o leitor depara com um poético catálogo de espécies, que celebra as virtudes destes humildes frutos, capazes de brotar estoicamente nos recantos mais esquecidos dos bosques, suscitando digressões temperadas por uma lucidez rebelde e refrescantemente espirituosa. Triunfo do natural e do autêntico sobre tudo o que é civilizado, nesses frutos se revê inevitavelmente.
...
Cores de Outono é uma ode a esta estação, um hino a matizes e cambiantes da flora outonal e, sobretudo, ao ritmo digno do mundo natural, avesso ao bulício da civilização. Fragmentos em que Thoreau retira da Natureza supremas lições de vida, Maçãs Silvestres e Cores de Outono ensinam-nos, como o carvalho-vermelho, a almejar por luz e céus limpos, para que o quotidiano não descore; desafiam-nos a ver com olhos de ver e tela de pintor que nos rodeia e, como as folhas caídas a seu tempo, a despojarmo-nos da vida com igual nobreza.

(in badanas) 



sábado, 13 de julho de 2019

Sete Livros Ilumnados - William Blake

1751
2007, 2ª ed.

E daqueles fogos infinitos
Agarrou primeiro a luz que fluía
Nos ventos; martelando sem parar, condensou
As partículas ténues num Orbe.

Rugindo, indignadas, as faíscas brilhantes
Sofreram o vasto Martelo; mas infatigável
Los malhava a Bigorna; até que glorioso
Um imenso Orbe de fogo forjou.

William Blake, O Livro de Los

ver tb 2517

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Milton de William Blake


2517


Milton encena a viagem de autodescoberta e renovação do herói que lhe dá título. No primeiro livro do poema, John Milton regressa do céu ao mundo dos mortais. Sob a forma de um cometa, penetra no corpo de William Blake. A relação entre o poeta vivo e o seu predecessor dramatiza as pulsões contrárias da consciência individual, e uma luta sem tréguas pela afirmação da imaginação e da visão contra a mera exterioridade do mundo material. No segundo livro. Milton une-se à sua emanação feminina, Ololon, progredindo em direcção à superação apocalíptica das divisões entre sexos, entre vivos e mortos, e entre a consciência humana e as suas projecções alienadas no mundo exterior.
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(in badana da capa)