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quinta-feira, 1 de junho de 2023

2691 Retalhos do Sonhador-Fazedor João Vasconcelos


Na altura da apresentação deste livro do meu velho amigo, Arménio Vasconcelos, entretanto falecido (Maio 2023 Leiria), tive ocasião de dizer o seguinte:

Arménio Vasconcelos, querido e velho amigo

Lucília Vasconcelos

Demais familiares e amigos aqui presentes

Minhas sras meus srs

 

Antes de mais quero dizer que me sinto muito honrado por participar deste momento tão sentido e do máximo significado para toda a família de João Vasconcelos que tão novo quis a vida que nos deixasse.

Ainda no fulgor da sua juventude, que, com todo o seu empenho e valor incontestado, sempre colocou ao serviço supremo da família e da comunidade em geral

Os meus respeitos a toda a família.

O que de substancial há para dizer, nas presentes circunstâncias, já o autor de tão preciosa e sentida homenagem ao seu para sempre amado filho João, o deixou escrito no livro que agora está a ser dado à estampa.

Tenho o privilégio de ser amigo do Arménio, desde há muitos anos; desde os agitados anos 70, em circunstâncias muito especiais. De então para cá variados têm sido os momentos em que temos partilhado ideias e iniciativas de âmbito cultural e associativo e de relacionamento pessoal como amigos.

Na sequência desta amizade fui acompanhando o percurso de vida de seu filho João Vasconcelos. Mas essa circunstância não justifica só por si tudo de valoroso que se tem de atribuir ao João. E com cuja atribuição eu comungo em absoluto.

Fui sabendo que o João, por intermédio do nosso partido político de eleição, o PS, e, particularmente, por António Costa, conseguiu fazer um caminho a todos os títulos brilhante.

Começando como militante de base no início dos anos 2000, depressa se destacou acabando por desempenhar cargos de muito relevo nos vários governos de Portugal, seja como adjunto do Primeiro Ministro seja como Secretário de Estado. A sua permanência no governo ocorreu num lapso de tempo entre os anos de 2005 e 2017. Sempre com reconhecido brilhantismo e competência.

A negociação, que conseguiu levar a bom termo, foi determinante para manter a Web Summit em Lisboa. Como se tem constatado, esta iniciativa tem sido preponderante para projectar o nome de Portugal e dos seus técnicos na área digital e da engenharia informática, o que se tem revelado um balanço fundamental para o desenvolvimento das tecnologias da Inteligência Artificial, por onde está a passar o boom da tecnologia digital global.

Acaba por ficar para a história da ciência e da economia como o ´senhor startup`. De facto, sendo filho e neto de empresários de sucesso, ficou no seu currículo como dirigente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), mentor da OPEN, na Marinha Grande, a primeira startup criada em Portugal, e mentor de várias outras empresas e instituições startup com as quais se manteve extremamente activo até à hora da sua morte.

O João era um ser criativo por excelência, que sobrepôs essa paixão ao imperativo do perfeito imediato. O passo imprescindível e prioritário era criar, inovar. A perfeição seria a fase que se seguiria, inevitavelmente. Foi nesta singela mas pragmática filosofia de vida que assentou o rotundo êxito da sua missão na Terra.

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João

Mais altos teriam sido – certamente - os teus rasgos de inteligência e energia ao serviço de Portugal e dos portugueses, se a morte não tivesse decidido interromper o teu caminho, inesperadamente, aos 43 anos.

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Arménio

Lucília

O vosso para sempre amado filho ficará indelevelmente nos nossos corações.

E já tem o seu lugar incontestado, gravado a letras de ouro, na história da modernidade científica e empresarial.

E na da própria autarquia leiriense, que lhe concedeu, mais que merecidamente, a Medalha de Ouro do Município.

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Deixo-vos beijos solidários e de muita amizade.

Disse.       (Leiria, 14 de Dezembro de 2021 – BMALV)

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quinta-feira, 27 de abril de 2023

Carlos Lopes Pires: "a inclinação das ervas" ed. Fantasma, 2023 (abril)


Apresentado por Dra. Graça Sampaio em 22 abril de 2023, no auditório da Casa-Museu João Soares, nas Cortes - Leiria. Neste dia também se comemorou o 19º aniversário dos Serões Literários das Cortes.
O autor dedicou-me o seguinte poema:

p69

a tua ausência é grandiosa
senhor

e completa todos os caminhos
na falta que nos fazes

que nenhuma árvore sabe de ti
e nenhuma luz conhece
a tua sombra

o meu amigo nunes
pergunta-me por ti
senhor

e o meu coração
também

-
obrigado, Carlos, pelo calor da tua amizade.


 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

onde as maçãs crescem, Carlos Lopes Pires 2020

 



2568
ed. 2020
O autor teve a amabilidade de me convidar, como amigo, para colaborar na sessão de apresentação do livro, no dia 12 de Setembro de 2020, no jardim da Casa-Museu João Soares. Estávamos em tempo de contingência da pandemia COVID-19, por isso viemos para o ar livre. O tempo estava majestoso e a sessão, bem concorrida, correu muito bem.
Participei dizendo umas palavras de carinho e de abono sincero à pessoa do autor e à sua obra. Quem fez a apresentação propriamente dita foio nosso comum amigo e escritor Luís Vieira da Mota.
Eis o que eu disse:
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Onde as maçãs crescem


Minhas Sras e meus senhores

amigos

Carlos Lopes Pires é um poeta constante. Já o escreveu taxativamente MFM (Manuel Frias Martins) na sua impressionante recensão crítica, que publicou no nº 201 Maio/Agosto2019 da sempre conceituada revista COLÓQUIO|Letras, a propósito do “a noite que nenhuma mão alcança” dado a lume há dois anos atrás.   Já?!

Nós estamos aqui hoje e desta forma, somos, também, testemunhas do intenso labor poético de Carlos Lopes Pires que soma mais de um quarto de século a publicar Poesia sempre rodeado de amigos que comungam esta sua faceta profundamente humana.

  Já são mais de 20, os livros de poesia de sua autoria. Não fiz a contabilidade, mas as contas devem estar certas ou quase. Claro, sou contabilista, logo devia falar em números precisos; mas não estamos aqui para falar de números.

Esta minha intervenção não é senão um intróito para o que já a seguir vamos ouvir do nosso amigo comum e emérito escritor, Luís Vieira da Mota, que ele sim, é a personagem certa para dizer do seu modo de ver a vida e a obra de Carlos Lopes Pires. Até porque são muitos os anos de convívio literário e de franca amizade que já os unem…

De qualquer modo, não posso deixar de aproveitar este ensejo para dizer umas coisas acerca deste livro que agora vai ser apresentado e que fala dos sítios onde as maçãs crescem. Com este título o poeta e amigo Carlos Pires pretenderá o quê? Chamar-nos a atenção para o paraíso que pode ser o sítio onde vivemos neste mundo? Haverá só um mundo? Cada um de nós será um mundo? Teremos que considerar que o mundo não é uma coisa definida antes teremos que admitir que o mundo é um conjunto indeterminado de mundos?!  Mas sendo um conjunto indeterminado de mundos, será que não tem princípio nem fim? Estaremos nós disponíveis para aceitar que o tempo dura tanto tempo quanto o tempo que demoramos a sintonizar o nosso próprio eu?  Ou mais?!

Aqui chegado ocorre-me que a continuidade do tempo poderá não existir no que é eterno, mas sim no efémero e transitório. Ou seja, nas coisas simples a que o amor deverá presidir.

Quero eu tentar dizer que a poesia poderá ser esse espaço entre o transitório e o eterno. E que a poesia de Carlos Lopes Pires revela esse carácter e essa sensibilidade. E, visivelmente, também se rebela contra as convenções da literatura tradicional que tende a ambicionar o eterno da fama e notoriedade pessoal através da palavra.

A poesia de Carlos Pires assume uma atitude de contributo para que as pessoas se possam compreender a si próprias cada vez melhor. Para isso o poeta não se cansa na procura de novos modelos para a representação do mundo e da realidade, transportando a sua própria realidade e a que ele observa a partir da dos outros. E com uma preocupação suplementar: a de renovar as coisas reais e reintegrá-las na vida.

A poesia, tal como Carlos Pires nos sugere, é quem melhor nos pode induzir ao interesse pelas coisas simples e a compreensão destas, sim, é que nos poderá levar a perceber a complexidade da vida.

Ou seja, e para finalizar esta minha singela divagação, pressente-se que o poeta tende a mostrar-nos o sentido da vida impulsionando o leitor a sair de situações desesperadas e a recuperar o desejo duma vida simples mas sem perder a sua capacidade de sonhar.

Carlos, meu amigo, mestre, a tua poesia tem sido para mim um bálsamo muito especial contra o medo da minha ignorância.

E um grande estímulo para descomplicar a vida aceitando os princípios cósmicos que orientam a nossa própria existência.

Mais não vou acrescentar a este meu testemunho, que o Luís Vieira da Mota, por ti muito justamente homenageado dedicando-lhe expressamente este teu livro, se vai encarregar a preceito, de tal missão.

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Obrigado, poeta, pela poesia com que tens ajudado a vestir o mundo e mostrar que vale a pena o convívio de que todos nós necessitamos, mas que nem sempre o conseguimos alcançar.

Obrigado por seres um amigo com quem também é possível dialogar com o recurso ao poema…  

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Claro, não podia deixar de vos ler o poema da página 80, dada a afinidade que o passou a ligar a mim, pessoalmente, e que eu agradeço do fundo do meu coração o carinho que nele e em nós se reflecte.

Leiria, 12 setembro 2020

António Nunes

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(ver reportagem mais completa sobre o lançamento deste livro em